sexta-feira, 17 de maio de 2013

PEDAGOGIA WILLEMS - O MOVIMENTO SONORO E A ALTURA DO SOM

Antes mesmo de falarmos sobre o movimento sonoro (ascendência e descendência do som) queremos chamar a atenção para as causas que dificultam a não distinção do agudo e grave (haut e bass).
o primeiro caso, sabemos que os termos grave e agudo são abstratos e por isso mesmo
Willems distingue tres causas fundamentais:

a) A criança não tem a mínima noção da acuidade sonora;
b) A criança tem uma noção falsa e confunde o grave com o agudo.
c) A criança tem uma noção justa mas só distingue grandes diferenças.

                                                                     

No primeiro caso, sabemos que os termos grave e agudo são abstratos e por isso mesmo é mais fácil para a criança sentir o movimento sonoro, elemento mais concreto.
Para o exercício do movimento sonoro, pode-se utilizar: a flauta de êmbolo, o xilofone, a sirene, flauta de Pan, piano, voz, etc. realizando em primeiro lugar a subida e descida do som ( ascendência e descendência do som ). Uma vez adquirido o sentido do movimento sonoro, a criança esta apta a exercícios variados de diferenciação de altura.
No segundo caso observa-se se a criança troca o alto pelo baixo, confunde altura com intensidade ou altura com o timbre. É necessário que o professor verifique qual a natureza do erro para que possa realizar os exercícios que se fizerem necessários.

                                                                                 

Willems no seu livro "Le Valeur Humaine De L´Education Musicale" enfatiza a importância de um trabalho progressivo e no seu livro "Oirelle Musicalle I" ele narra uma série de casos concernentes a falsas associações o que dificulta sentir a altura do som corretamente.
Ex.: A criança associa alto com grosso e forte;  a criança confunde a intensidade (se cantam ascendentemente porém em decrescendo, dizem que o som está descendo e vice-versa no caso de cantarem descendentemente crescendo). Confundem o timbre com a altura ( pede-se um som, a criança canta "na"; pede-se um som mais agudo e ela canta o mesmo som dizendo "ni").

No terceiro caso, é necessário um trabalho constante com material sonoro, principalmente com espaço intratonal, o que facilita a discriminação da altura do som. A atenção é indispensável ao trabalho auditivo e somente através dela e da concentração pode se despertar na criança a faculdade de escutar sensorialmente. Em muitos casos é necessário aprender a escutar. É de suma importància despertar a curiosidade, interesse, amor ao som e a música. Uma atitude cerebral pode entravar a impulsão e intuição. alguns pedagogos pedem para refletir antes de agir, entretanto geralmente a ação tem precedido ao pensamento e na arte, devem açao e pensamento se interpenetrarem de uma forma harmoniosa.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

PEDAGOGIA WILLEMS - O Rítmo na Educação Musical

                                               O RITMO NA EDUCAÇÃO MUSICAL

                                                                            


                                                  
Nota-se na Educação Musical uma deficiência geral no trabalho de rítmo, daí a importância de se exercitar e desenvolver desde cedo o sentido do ritmo vivo, do instinto rítmico propriamente dito.
Sabe-se que através do ritmo se trabalha o aspecto fisiológico corporal, daí a importância da aquisição do sentido de tempo, elemento primeiro e fundamental. O sentido de tempo é que nos dá a sensação do deslocamento do centro de gravidade.
Embora o nosso trabalho não se dedique a dança, mímica, nem mesmo a rítmica, devem ter os alunos um mínimo de sentido plástico que será conseguido através de movimentos naturais (com as mãos, os batimentos) ou pelos movimentos corporais ( marchas, saltos, balanceios ).

Willems enfatiza a importância dos batimentos (frappès) pois além das crianças aceitarem com interesse, constituem um dos melhores meios de despertar e desenvolver a vida rítmica, além de propiciar um ponto de partida para a improvisação. Esse trabalho exige do professor uma certa habilidade para reagir às sugestões das crianças. Deve ele poder adaptar os exercícios, levando em consideração as possibilidades do grupo.

Os exercícios devem ser simples, obedecendo a uma ordem progressiva de dificuldade, porém o professor deve ser exigente na precisão da execução. O "choque sonoro" é o elemento primeiro do ritmo musical, por isso o escutar é de suma importância para a precisão do movimento fisiológico.
Através deste escutar rítmico é que se obtem uma atitude receptiva auditiva tão necessária ao trabalho musical.

Os batimentos convidam as crianças a uma participação ativa e eles empregam suas mãos de forma variadas. Realiza-se também movimentos de alternância das mãos, já acrescentando a rapidez de movimentos que mais tarde poderá facilitar a técnica instrumental. Posteriormente, depois de exercitado o rítmo vivo é que se inicia o desenvolvimento da consciência rítmica e métrica. Poderá se usar: rítmos fortes e fracos, lentos e rápidos, exercícios de duração ( curto e longo ) e timbres variados.

Para despertar a consciência métrica, trabalha-se na canção as quatro modalidades rítmicas:

_Rítmo da canção
_Tempo
_O primeiro tempo (unidade maior)
_A divisão ou subdivisão

Pode-se também realizar exercícios com contagem dos tempos e aos poucos será introduzida a polirritmia. 
A variedade de exercícios nos propicia uma verdadeira ajuda ao trabalho de desenvolvimento do instinto e consciência rítmica.

Não se deve esquecer, diz Willems do valor musical humano da educação rítmica, que trabalha ao mesmo tempo o dinamismo, a motricidade, a sensorialidade e a audição.

Bibliografia: Edgar Willems

Lês Frappès et L' Instinct Rytmique
Lê Rytmique Musical et le Mouvement Naturel dans le Cours d´Education Musicale.

Do: 
 XX ENCONTRO DE VIVÊNCIAS MUSICAIS
Pedagogia Musical Willems
Carmem Mettig Rocha - Setembro - 2010